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Seu filho é impulsivo ou apenas está superestimulado?

  • Foto do escritor: Marilia Queiroz
    Marilia Queiroz
  • 12 de jan.
  • 3 min de leitura

Durante muito tempo os pais ouviram que dificuldades de autocontrole, explosões emocionais, agitação e baixa tolerância à frustração eram sinais de falta de limite ou de educação inadequada. Mas a ciência contemporânea mostra algo muito mais sofisticado: na maioria das vezes, o que vemos não é desobediência, é um cérebro em sobrecarga.

Um estudo recente baseado no clássico teste do “marshmallow”, no qual crianças precisam esperar para receber uma recompensa maior, revelou que crianças de cinco anos não se dividem simplesmente entre aquelas que têm autocontrole e aquelas que não têm. Elas se organizam em perfis neurológicos distintos de autorregulação. Os pesquisadores observaram quanto as crianças se mexiam, quanto falavam e quanto permaneciam focadas na recompensa durante a espera, e descobriram que esses padrões dizem muito mais sobre o cérebro do que o comportamento isolado.

Algumas crianças apresentam um perfil mais passivo. Elas se movimentam pouco, falam pouco e conseguem manter um foco relativamente equilibrado no objetivo. Essas foram as que mais conseguiram esperar pela recompensa. Não porque fossem mais obedientes ou mais maduras, mas porque seus sistemas cerebrais de controle conseguem manter o objetivo ativo sem entrar em estado de hiperexcitação.

Outras crianças, no entanto, pertencem ao perfil mais ativo. Elas se mexem, falam, olham para o prêmio, pensam nele o tempo todo. São crianças intensas, curiosas, muitas vezes muito inteligentes, mas que entram facilmente em estado de hiperfoco no estímulo. E foram justamente essas as que menos conseguiram esperar. Não por falta de caráter, não por falta de educação, mas porque quando o cérebro fica excessivamente ativado pela antecipação, o sistema de autocontrole entra em colapso.

Há ainda um terceiro grupo, chamado de desorganizado, formado por crianças que se mexem muito e falam muito, mas que, curiosamente, conseguem esperar quase tão bem quanto as do perfil passivo. Isso acontece porque, embora haja muita energia, essa energia não está dominada pela obsessão pelo prêmio. O cérebro consegue distribuir melhor os recursos de atenção e emoção.

Quando trazemos isso para a vida real, o que vemos é exatamente o que acontece em muitas casas hoje. A criança tenta fazer a lição com a televisão ligada, o tablet por perto, o celular dos pais tocando e brinquedos ao alcance dos olhos. O cérebro infantil entra no mesmo estado do perfil ativo do experimento: hiperestimulação, foco excessivo em estímulos e aumento da excitação emocional. O resultado aparece como irritação, birras, desistência rápida, dificuldade de persistir e a sensação de que a criança “não se controla”.

Por isso broncas, castigos e ameaças costumam falhar. O problema não está na intenção da criança, mas no funcionamento do sistema de regulação do cérebro naquele momento. Tentar exigir autocontrole de um cérebro hiperativado é como pedir para um computador travado funcionar mais rápido. Não é uma questão de vontade, é uma questão de processamento.

É nesse ponto que a avaliação neuropsicológica faz toda a diferença. Ela não serve para rotular crianças, mas para mapear como o cérebro delas organiza atenção, controle inibitório, memória operacional, reatividade emocional e autorregulação. É isso que permite distinguir uma criança verdadeiramente desobediente de uma criança com um sistema nervoso altamente reativo, que precisa de ajustes no ambiente, na escola e nas estratégias parentais para funcionar melhor.

A ciência mostra que padrões de autorregulação se consolidam ao longo da infância. Quanto mais cedo são identificados e compreendidos, mais fácil é evitar sofrimento emocional, dificuldades escolares, conflitos familiares e rótulos injustos. Muitas crianças que hoje parecem difíceis são, na verdade, cérebros sensíveis tentando sobreviver em um mundo excessivamente estimulante.

Se você reconheceu seu filho neste texto, talvez o problema não seja educação. Talvez seja neurodesenvolvimento e sobrecarga de estímulos. E isso tem solução quando é avaliado da forma correta.

Entre em contato conosco! Vamos juntos criar ferramentas para ajudar o seu filho(a) e utilizar todo o seu potencial da melhor forma possivel!


Criança assistindo TV.

 
 
 

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